CINE ARTPOPULAR: uma proposta de democratização do acesso ao cinema nacional em Alagoas

CINE ARTPOPULAR: uma proposta de democratização do acesso ao cinema nacional em Alagoas[1]

 

Profº Ms. Sérgio Onofre Seixas de Araújo[2]

 

Introdução

Este Artigo busca descrever as atividades desenvolvidas pelo projeto CINE ARTPOPULAR, contemplado pelo edital Proext Cultura 2008 e implementado a partir do segundo semestre de 2009, objetivando a introdução de novos espaços de exibição pública e gratuita de cinema nacional, inicialmente previsto em número de três, mas efetivamente implantado em quatro municípios alagoanos. Assim, partimos de um breve panorama histórico dos espaços de exibição fílmica (comerciais e não comerciais) nestas cidades para discorrermos sobre as atividades realizadas pelo projeto e assim refletirmos sobre a importância de iniciativas deste porte, que busquem democratizar o acesso aos bens culturais produzidos no país, neste caso em especial, aqueles relacionados à sétima arte.

 

 

O Cine Artpopular e o cinema em Alagoas

A iniciativa de propor, como atividade de extensão universitária, ações de exibição e debate acerca do cinema nacional nos municípios de Penedo, Palmeira dos Índios, Arapiraca e, posteriormente em Viçosa, todos no estado de Alagoas, partiu da constatação do esgotamento dos espaços coletivos de exibição de obras audiovisuais, seja em película ou em linguagem digital. Especialmente nos municípios interioranos, objeto de nossa ação, esta situação apresenta-se de forma mais dramática. Os antigos cinemas perderam e continuam perdendo cotidianamente seu público, tanto pelo avanço tecnológico que, se por um lado democratizou o acesso a esse tipo de produto cultural, com diferentes linguagens midiáticas, por outro lado, tornou as estruturas das salas de projeção de difícil manutenção dado seu custo operacional, quanto pelo avanço do mercado informal ― via de regra, ilegal, mas para uns, democrático e inclusivo ―, popularmente denominado de “pirataria” que põe, nos dias de hoje, DVDs com filmes recém lançados no mercado ao custo de R$ 2,00 na capital Maceió e R$ 5,00 nas cidades interioranas.

Não conseguindo competir com a popularização da ilegalidade, os antigos espaços fecham as suas portas. Já nos grandes centros urbanos o que vemos é a concentração de salas de exibição em grandes complexos de comerciais, exibindo, via de regra, obras de consumo rápido e de massas.

Dentre os municípios inicialmente selecionados para a implantação do projeto, apenas na cidade de Arapiraca mantém-se viva uma sala de exibição: o CINE TRIUNFO, fundado no início da década de 1970. No entanto, segundo o pesquisador e artista plástico Zezito Guedes, natural daquela cidade, Arapiraca teve outros dois espaços de exibição, a primeira iniciativa de implantação de um cinema se deu em 1940: o CINE LEÃO, que funcionava na Praça Marques da Silva, com cerca de 100 lugares, construído pelo agropecuarista Manoel Leão, ficando a operação do equipamento a cargo de seu filho Antônio Leão. O CINE LEÃO, ainda segundo o pesquisador, manteve-se ativo até o início da década seguinte, quando encerrou suas atividades. O terreno que abrigou aquele pioneiro cinema, sede lugar, nos dias de hoje, a uma agência bancária de um importantee conglomerado financeiro.

Em 1952, foi construído o CINE TRIANON, com capacidade para mil pessoas, funcionou por quase dez anos, sendo posteriormente transformado num espaço cultural, onde se desenvolviam diferentes linguagens artísticas. O espaço cultural também não resistiu a investida de grupos religiosos que o transformou em igreja evangélica. Atualmente, o prédio, ainda em boas condições de uso, encontra-se fechado, sob ameaça de demolição, para dar lugar a um estacionamento.[3]

Quanto ao remanescente CINE TRIUNFO, este sobreviveu a diferentes investidas e a uma “reforma” que demoliu parte do prédio para a construção de um estacionamento. O malabarismo econômico que permitiu a manutenção daquele espaço inclui ainda a divisão do espaço restante com uma locadora de vídeos e ainda a realização de sessões fechadas, contratadas por escolas do município para exibição de filmes com temáticas associadas aos conteúdos curriculares das diferentes disciplinas. Tal iniciativa, praticada por essas escolas, optando pelo cinema ao invés do recurso a utilização da TV e do DVD no próprio ambiente da sala de aula, contribui para reforçar a idéia ― intencionalmente ou não ― de sala “coletiva de exibição como possibilidade de lazer, de absorção de cultura e de convívio social”. Assim, e com sua programação sistemática concentrada em filmes pornográficos e ou de artes marciais, vai resistindo agonizante o último espaço de exibição comercial na cidade de Arapiraca.

As demais cidades contempladas no projeto CINE ARTPOPULAR não dispõem mais dos “templos da sétima arte”, sucumbidos pela impossibilidade econômica de se auto-sustentarem, estão, na atualidade, com seus espaços ocupados por outras atividades de diferentes matizes ou simplesmente relegados ao completo abandono, sendo destruídos pela ação do tempo.

A cidade de Penedo (sede do Projeto) está localizada ao sul do estado, às margens do Rio São Francisco, com uma população estimada em 56.993 habitantes (IBGE, 2000), terá grande projeção nacional a partir dos anos 1960, quando da construção de um luxuoso prédio, em estilo moderno, pela “Companhia Melhoramento Penedo” ― onde funciona o Hotel São Francisco ―, que acolheu durante muitos anos o imponente cinema São Francisco, considerado uma das principais referências culturais da região, colocando aquela histórica cidade em uma posição de destaque com a realização dos Festivais de Cinema, que ocorreram durante 8 anos consecutivos, a partir de 1975, atraindo os olhares e interesses dos amantes do cinema de diversas partes do Brasil para aquela cidade ribeirinha.

Segundo Lins (2003), aquela seria a “última das edificações do estilo ‘Arquitetura Moderna Brasileira’ a se conservar íntegra em Alagoas” e ainda, o valor daquele complexo ― Hotel/Cine Teatro São Francisco ― não se resumiria ao acervo histórico arquitetônico, para além disso, “sua importância é acrescida por ser uma testemunha viva de uma histórica disputa alagoana: qual seria a Capital cultural do Estado?”, disputa essa rivalizada entre a capital de Maceió e as cidades de Penedo, Viçosa e Palmeira dos Índios.

A “catedral” [Cine Teatro São Francisco] não apenas humilhou Maceió às portas dos anos 60, mas deu um banho em todas as demais capitais nordestinas, passando a disputar o título de melhor (maior, mais luxuoso e mais moderno) cinema da Região com Recife, Salvador e Fortaleza (LINS, 2003).

Com a criação do Festival de Cinema pelo departamento de Assuntos Culturais do Município de Penedo, os realizadores tiveram um novo estímulo para produzir. Surge a partir daí um momento de maior efervescência do cinema em Alagoas, com a ampla repercussão alcançada e a chegada nestas terras das primeiras filmadoras super-8. Junto ao estímulo à produção cinematográfica local, agrega-se um outro e decisivo fator: a repercussão que a atividade cinematográfica passa a ter com a projeção da cidade do Penedo em nível nacional; segue-se então o crescimento e o interesse do público local pela atividade.

O movimento na cidade era intenso e os munícipes tinham a oportunidade de verem circulando pelas vias públicas atores do quilate de Jofre Soares, Walmor Chagas, Lima Duarte, Carlos Eduardo Dolabela, Jesse Valadão e atrizes como Eva Vilma, Vera Ficher, Kate Hansen e outras.[4]

Os festivais foram suspensos a partir de 1983, por motivos ainda hoje obscuros, iniciando a fase de declínio das atividades cinematográficas na cidade e o posterior fechamento do Cine São Francisco, que em suas instalações chegou a chegou a abrigar uma igreja evangélica até 2007, encontrar-se hoje fechado.

O Cine Penedo, outro exemplar da arquitetura moderna na cidade, construído no final dos anos 1950, pela Conferência Vicentina, como objetivo de instalar o Teatro São Vicente (MERO, 1994), também testemunha da fase áurea vivida pela atividade cinematográfica na região do Baixo São Francisco, encerra suas atividades no mesmo período, seu prédio encontra-se hoje fechado, em completo abandono e em mau estado de conservação. “Os cinéfilos da época ainda guardam boas recordações dos tempos […] em que podiam desfrutar do privilégio de existirem duas salas de projeção na cidade”.[5]

Por fim, completando o rol de salas de exibição na histórica cidade, citamos ainda o Theatro Sete de Setembro, que teve sua planta aprovada em 1878, sendo inaugurado em 7 de setembro de 1884, o pioneiro teatro, construído em terras alagoanas, abrigou por certo período o Cine Ideal que ali funcionou durante muitos anos, não escapando do mesmo destino das demais iniciativas anteriormente citadas. Desta forma, presenciamos na atualidade o trágico desaparecimento das atividades cinematográficas que tanto contribuíram para colocar em evidência aquela cidade.

Palmeira dos índios, terceira cidade contemplada no projeto, vai experimentar os encantos da telona a partir dos anos 1921, quando Crisanto Soares inaugurou o CINE HELVÉTICA, que segundo Walter D’Ângelo (Mimeo, s/d), recorrendo à memória de sua bisavó Filomena Vieira Leite, que afirmara-lhe ser aquela atividade popularmente conhecida por CINE CRISANTO. “Os dias do cinema eram: Domingo, Quarta e Sábado. A influência era muito grande, especialmente na garotada […] o filme vinha de Quebrangulo […] que no dia da série era esperado com grande ansiedade”.

Em 5 de março de 1922, por iniciativa de Filadelpho Wanderley, foi instalado na cidade o CINE TEATRO PALMEIRENSE, melhor estruturado e com mobiliário e equipamento mais modernos, “trouxe a Palmeira os filmes da Paramont”. Outras iniciativas seguiram-se naquela cidade: em 1952 foi instalado o CINE IDEAL na antiga Praça da Intendência; em 14 de outubro de 1956, acontece a inauguração do CINE PALÁCIO, último a fechar suas portas, este encerrou suas atividades na década de 1980. Os palmeirenses conheceram ainda o CINE SÃO LUIZ e o CINE MODERNO, ambos de existência efêmera.

Completando o conjunto de municípios onde as ações do projeto são executadas temos Viçosa; localizado na zona da mata alagoana, na região do Vale do Paraíba, contando hoje com 26.263 habitantes (IBGE, 2000), esteve, até os idos de 1940, entre os maiores municípios do estado. Tendo sido conduzido a este patamar pelas caldeiras da indústria sucroalcooleira e pela produção de algodão. Também conhecida como importante celeiro da cultura alagoana, a cidade foi berço de artistas e intelectuais de projeção nacional, a exemplo de Graciliano Ramos e Théo Brandão. No que se refere ao cinema, a cidade chegou a ter duas salas de exibição e mais um teatro. O CINE GODÓI, inaugurado no início dos anos 1960, contava com 780 lugares e foi a principal sala de projeções daquele município, tendo funcionado até os anos 1990, quando também sucumbiu. Seu prédio hoje virou depósito de milho.

O dramático quadro, aqui rapidamente esboçado, de certo não difere dos demais 97 municípios alagoanos ― excluído desta soma apenas a capital Maceió ―, como também dos demais municípios brasileiros. Não cabe no formato deste texto, nem é nosso objetivo neste momento, analisar esta aparentemente contraditória realidade que se coloca, qual seja: de um lado, uma possível maior possibilidade de acesso ao produto cultural (mesmo que de forma ilegal), em diferentes mídias ou em canais de TVs abertas ou fechadas e, de outro lado, a manutenção de espaços de exibição reservados e certamente de custo mais elevado, portanto de acesso relativamente restrito, mas que mantém o caráter de espaço coletivo de exibição e, desta forma, de interação e de convívio social. Acreditamos que a atividade cineclubista resolve esta questão, preservando este caráter e, para além do produto cultural, torna o público parte integrante desse processo, propiciando espaços de discussão e reflexão sobre o que está sendo exibido, como também, sobre o que exibir ou sobre o papel do Estado como mantenedor de equipamentos culturais como parte das suas políticas sociais, estimulando assim, a participação de indivíduo e grupos de indivíduos nas decisões que o afetam e a sua coletividade, em uma palavra, formando cidadãos.

No circuito não comercial e no espírito da democratização do acesso a esse produto cultural, diferentes iniciativas se desenvolvem no país. Especialmente em Alagoas e nos municípios aqui elencados, identificamos projetos como o CINE SESI CULTURAL[6] e o projeto NINHO RODA BRASIL,[7] da multinacional Nestlé, ambos de caráter nacional, desenvolvidos também em Alagoas ou mesmo projetos locais como o ACENDA UMA VELA, que exibe cinema em velas de barcos e jangadas nas orlas marítima, lagunares e ribeirinhas, promovido pela ONG Ideário, além do trabalho realizado pela “Saudáveis Subversivos”, organizações estas que desenvolvem projetos com o mesmo conteúdo. Em comum todas estas iniciativas têm o fato de serem transitórias, itinerantes; passam deixando suas sementes em solo árido, mesmo que habitados por populações famintas de opção de lazer, entretenimento e cultura.

É, portanto, num contexto de esgotamento dos espaços de projeção de cinema e de enorme carência de equipamentos culturais e de lazer, que se insere o Projeto CINE ARTPOPULAR como programa de extensão universitária, que parte do pressuposto de que o produto da atividade cinematográfica nacional constitui-se num importante instrumento na transmissão do conhecimento, capaz de contribuir de maneira educativa para a formação dos cidadãos, seja a partir de temáticas que aproxime-os em torno de problemáticas comuns, seja pela reflexão da importância  e da necessidade de espaços coletivos de interação e convívio social e ainda, que a proposta política e metodológica desenvolvida pelo movimento cineclubista é a mais adequada para atingir tais objetivos.

Desta forma, o Projeto visa trazer à população dos municípios envolvidos, não apenas diversão e entretenimento, mas busca estimular novos espaços de discussões, buscando ampliar os horizontes da população através da cultura ― vista aqui como política pública e, portanto, como direito do cidadão ―, apresentando o cinema brasileiro como produto de qualidade e contribuindo para a democratização do acesso a esse importante produto cultural, assegurando um mínimo de sistematicidade capaz de reacender o gosto e o hábito de freqüentar os espaços de projeção.

 

A implantação do Projeto e seus primeiros resultados

Os municípios nos quais o projeto vem sendo desenvolvido têm em comum a presença física da Universidade Federal de Alagoas – UFAL e, por este motivo, foram escolhidos. A cidade de Arapiraca, segunda maior do estado, com uma população de 186.466 (IBGE 200), sedia o primeiro Campus daquela IES instalado no interior; irradiando suas ações a partir de pólos avançados implantados em Penedo, Palmeira dos Índios e Viçosa, estes últimos, guardam entre si outra característica em comum: são considerados pontos referenciais da cultura alagoana, tendo disputado com Maceió, como anteriormente citado, o título de capital cultural do estado na década de 1960.

Em cada um dos municípios foi montada uma equipe executora coordenada por um professor e, com a participação de alunos e funcionários, parcerias foram instituídas em cada cidade, principalmente com as prefeituras municipais, através das secretarias de cultura e turismo. Tais parcerias foram fundamentais para superar as dificuldades estruturais, principalmente aquelas relacionadas à sonorização das atividades e disponibilidade de telas de projeção, tais dificuldades foram resultantes de um orçamento pequeno que não permitia a aquisição de equipamentos para os quatro pólos, imprescindíveis para a realização do mesmo, principalmente depois da opção de transferir a responsabilidade das atividades para os grupos locais, o que levou a uma ampliação considerável da quantidade dos eventos.

Tivemos ainda que travar várias batalhas com a burocracia estatal, dada a dificuldade de aquisição de equipamentos e contratação de serviços numa instituição pública. Desta forma, só a partir de agosto de 2008, com a formalização da associação da UFAL à Programadora Brasil e a conclusão do processo licitatório, que autorizou a aquisição do acervo com “Permissão de Uso”, permitindo desta forma, a exibição pública das obras, possibilitando, finalmente, o inicio das atividades.

Previstos, inicialmente, com periodicidade mensal para Penedo e trimestral nas demais cidades envolvidas, num total de duas atividades por mês, as exibições acontecem naquela cidade semanalmente nas terças-feiras, com projeções realizadas na porta do centenário teatro Sete de Setembro, localizado no Centro Histórico da cidade. Apesar no natural esvaziamento dos bairros centrais a partir do final do expediente comercial, pudemos perceber alguns expectadores mais assíduos, presença certa nas atividades. A sessão inaugural aconteceu no dia 30 de outubro com o filme “Saneamento básico” de Jorge Furtado, tendo sido realizada naquela cidade, um total de 05 exibições com diferentes títulos em 2009, registrando no período, um total de 815 expectadores (Ver tabela I).

Nas cidades de Arapiraca e Palmeira dos Índios as sessões ocorreram no ambiente universitário, com um público hegemonicamente estudantil e, portanto, com debates mais participativos. Já na cidade de Viçosa, última a entrar no circuito, a opção foi iniciar pela zona rural, com uma programação itinerante, buscando atingir primeiro um tipo de público bem mais carente desse tipo de serviço. Assim, em 2009, foram realizadas duas exibições, a primeira no dia 10 de dezembro no Povoado Juçara, que contou com cerca de cem expectadores, e a segunda no dia 17 do mesmo mês, no povoado Gurgumba, uma comunidade de remanescentes quilombolas localizada na zona rural do município; naquela oportunidade 50 afrodescendentes viçosenses se divertiram com “Espelho d’água” de Marcus Vinicius Cezar.

Assim, com um total de 15 sessões, o projeto CINE ARTPOPULAR chegou a quatro municípios alagoanos carentes desse equipamento cultural (Ver tabela I), atingindo um total de 1.386 espectadores (Ver Tabela II) consolidando a iniciativa e demonstrando que apesar da força da chamada indústria cultural, massificadora e alienante, o cinema nacional tem amplas possibilidades de ampliar seu universo de inserção, contribuindo desta forma, para uma melhor formação do povo. A partir das exibições públicas, aqui realizadas, num curto espaço de tempo, como uma programação vasta e diversificada, que passou por obras clássicas do Cinema Novo, com Macunaíma, por produções inquietantes como “Deus e o diabo na terra do sol” de Glauber Rocha e comédias do cotidiano como “Saneamento básico”.

 

TABELA I

Pólo de Exibição

Número de Exibições

TOTAL

Setembro Outubro Novembro Dezembro Absoluto

%

Arapiraca

2

2 1 0

5

33,33

Palmeira dos Índios

1

1 1 0

3

20,00

Penedo

0

1 4 0

5

33,33

Viçosa

2

2

13,33

TOTAL

3

4 6 2

15

100,00

 

TABELA II

Pólo de Exibição

Público

TOTAL

Setembro Outubro Novembro Dezembro Total

%

Arapiraca

88

201 20 0

309

22,29

Palmeira dos Índios

25

15 16 56

112

8,08

Penedo

35 780 0

815

58,80

Viçosa

150

150

10,82

TOTAL

113

251 816 206

1386

100,00

 

O expressivo público verificado nas exibições do mês de novembro na cidade de Penedo, 58,80% ― do total dos expectadores do período nos quatro municípios ―, deveu-se a participação do projeto CINE ARTPOPULAR dentro da programação da II Feira Gastronômica, organizada pelo curso de Turismo da UFAL, evento que vem se consolidando a cada ano no calendário turístico da cidade e que busca contemplar na sua programação uma grande variedade de atividades artístico-culturais.

 

Conclusão

Os resultados aqui expressos, mesmo preliminares, parecem apontar para a validade do projeto e das ações dele resultantes. Mesmo considerando o alto nível de carência de opções de lazer, entretenimento e cultura das populações atendidas nos diferentes municípios, é possível inferir que o cinema ou a “telona”, como os aficionados cinéfilos costumam chamar, continua exercendo seu fascínio e ainda, afirmarmos que, a produção cinematográfica nacional tem sim um imenso potencial de público a atingir. O projeto alcançou uma gama bastante variada e heterogênea de pessoas, não só pela abrangência territorial (abarcando quatro municípios), mas também e principalmente, pelo perfil sócio-econômico e cultural diferenciado dessas mesmas pessoas: estudantes e professores universitários em Palmeira dos Índios e Arapiraca; em Viçosa comunidades rurais e remanescentes quilombolas e, em Penedo, a população urbana em geral; comerciantes e comerciários, servidores públicos, estudantes, donas de casa entre outros transeuntes que eventual ou necessariamente necessitaram percorrer o centro comercial da cidade e se depararam com o cinema ao ar livre.

Outro dado relevante, percebido empiricamente nos locais que mantiveram exibições fixas e regulares, portanto, não itinerantes, foi a identificação de algumas pessoas presentes em várias sessões, apontando para ― assegurada a continuidade e maior divulgação das ações ― a possibilidade de realização de alguns dos objetivos  propostos, quais sejam: o desenvolvimento do hábito e do gosto pelo cinema nacional bem como o estímulo à formação de público para este produto cultural.

 

Referências

ARAÚJO, Vicente de Paula. A Bela época do Cinema Brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 1985.

BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Lisboa: Difel, 1989.

D’ÂNGELO, Walter. Túnel do tempo – histórico do cinema em Palmeira dos Índios. Mimeo, s/d.

LINS, Ênio. LUZES, CÂMERAS, RESTAURAÇÃO! Jornal Gazeta de Alagoas, Caderno B, Maceió, Domingo, 01 de junho de 2003.

MARTINS, C. Turismo, Cultura e Identidade. São Paulo: Editora Roca, 2003.

MERO, Ernani Otacílio. O perfil do Penedo. Maceió: Sergasa, 1994.

MORENO, Antonio. Cinema brasileiro – história e relações com o estado. Rio de Janeiro: EDUFF, 1995.

NUNES, Leopoldo. Cineclubes e a Atividade Cineclubista. Disponível em: www.ancine.gov.br. Acessado em 14 de agosto de 2008.

XAVIER, Ismail. O Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2001.

 

Notas:

[1] Texto publicado em: ONÇA L. A.; CAMARGO, E. S. e PIERO, A. (Orgs.) Cultura e extensão universitária: democratização do conhecimento.  São João del-Rei, MG: Malta, 2010. (pp. 388-398)

[2] É Professor Assistente II, da Universidade Federal de Alagoas, e-mail: sergio.onofre@yahoo.com.br.

[3] Sobre a polêmica criada, a partir da informação veiculada na mídia local, da provável demolição do imóvel. Ver matéria intitulada: Antigo Cine Trianon de Arapiraca poderá dar lugar a um estacionamento de 16/08/2008, disponível em: http://www.oops.net.br/LocalizaMateria.php?PJ=118&Find=3408. acessado em 12/01/2010.

[4] Ver: http://www.conexaopenedo.com.br/blog/?m=20090928 acessado em 12/01/2009.

[5] Idem.

[6] Ver materias: Cine Sesi Cultural chega a Penedo, de 26 de dezembro de 2007, disponível em: http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/index.asp?vEditoria=&vCod=39508 e Cine Sesi Cultural leva filmes a Arapiraca de 08/01/2008, disponível em:  http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=eventos&cod=759 . acessadas em 12/01/2010.

[7] Ver matéria intitulada Projeto ninho roda Brasil de14/03/2009, disponível em:  http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/notas.kmf?cod=8248596&indice=20 . acessada em 12/01/2010.

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