A OBRA POÉTICA DE PEDRO ONOFRE

Por JOSÉ MEDEIROS – médico e ex-secretário de Educação e de Saúde

 

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Costumo dizer que o poeta não é somente aquele que faz versos, mas também aquele que sente em si a poesia sutil das coisas. Ao aceitar escrever o prefácio da obra Poesias Completas de Pedro Onofre, tinha em mente apreciar a veia poética do autor e, paralelamente, homenagear esse mestre do teatro (30 peças), romancista, poeta e acadêmico.

Sem delongas resumo um pouco do que foi dito no prefácio dessa obra. Assim escrevi: Acredito que a poesia é a porta de entrada para um mundo de percepções ultra-humanas, ficcionais ou não, que emergem nas asas da estética e do pensamento criador. Acrescento que a arte está contida no elemento subjetivo, na alma da forma que é a poesia, singular emoção da palavra gravada ou decantada.

Momentos passam, vividos e sentidos, mas sempre deixam marcas na alma da gente. São laivos do inconsciente projetados no âmago do pensamento, pensamentos que retratam realidades, ora momentos felizes que merecem ser conhecidos, ora amarguras e dissabores que se ocultam nas formas de expressão através de metáforas poéticas. Não há exagero em afirmar que o imortal Pedro Onofre é um artista da palavra, um ourives da arte de versejar.

Nestas “Poesias Completas”, vislumbram-se várias tendências, ora nos sonetos alexandrinos e decassílabos, ora nos poemas parnasianos e poemas livres. Entrelaçam-se: teias de sonhos e cantares de alegria; baladas de saudades e sinfonias de desencantos; interrogações e respostas; recordações em família e decursos de momentos transcorridos.

Nada como um livro para reconstruir fragmentos de tempo, circunstâncias existenciais, o que há de verdade em suas verdades, o sentido transcendente da existência. Pedro Onofre vive para o mundo das artes, em especial do teatro, sem deixar de lado a poesia que esgrima com talento e erudição.

Trata-se de uma obra literária que entrou em minha órbita de leitura com desenvoltura e sem ter necessidade de pedir licença; são poemas que me proporcionaram extrema satisfação. O poeta aprimorou os versos, lapidou-os, sempre buscando uma perfeição formal. Observo esse mesmo empenho nos romances que escreveu, nas obras teatrais que publicou.

Ao leitor: participe desta viagem através de cada poema nessa hipótese você descobrirá para que serve a poesia.

 

Publicado no Jornal Gazeta de Alagoas,  de 16 de maio de 2012.

Disponível também em http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=201774

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